Nunes Liberato abre porta a saída do tribunal do PSD

Nunes Liberato poderá não se manter na presidência do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, após dois anos em que este tribunal do partido teve nas mãos casos complicados para resolver. Para já, a única lista candidata ao órgão é a de Paulo Colaço, que renunciou ao cargo de vogal da Jurisdição em divergência com Paulo Mota Pinto, presidente da Mesa do Conselho Nacional.

Nunes Liberato, que terá sido uma sugestão de Cavaco a Rui Rio, admitiu aos membros do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), na quarta-feira à noite, que é sua intenção sair.

Para já, e a poucas horas de arrancar o Congresso do PSD, em Viana do Castelo, a única lista candidata ao órgão é a de Paulo Colaço, que renunciou ao cargo de vogal da Jurisdição em divergência com Paulo Mota Pinto, presidente da Mesa do Conselho Nacional.

Apoiante de Rio, Colaço acusou Mota Pinto de “comportamentos graves” no conselho extraordinário de 17 de janeiro de 2019, quando Montenegro tentou chegar à liderança.

Ao JN, Nunes Liberato não confirmou a despedida. E muito menos esclareceu se pode vir a mudar de ideias se Rio o desafiar a liderar uma lista a este órgão, que decidiu, entre outras polémicas, sobre as refiliações de António Capucho e Marco Almeida ou as constantes investidas de Montenegro.

Juntar três fações

Com o caminho aberto – ainda que Rio deva apresentar uma lista – Colaço tem ao seu lado apoiantes de Montenegro e Pinto Luz. Mas também de Rio. Contudo, recusa que ande a oferecer lugares na lista.

“Tenho feito a minha carreira no CJN com credibilidade. Não vou entrar numa “mercearia””, apontou este profissional da comunicação, que entra na sua 10.ª corrida ao CJN.

“O apoio que tenho por parte de apoiantes de Rio, Montenegro e Pinto Luz refletem os meus vários anos de trabalho sério e imparcial. São apoios sinceros de pessoas que têm acompanhado os meus mandatos”, argumentou

“Não estamos em tempo de amadorismo. Estamos em tempo de rigor. E, nos meus efetivos [da lista] tenho gente com 20 mandatos acumulados”, apontou Colaço, para aludir à experiência dos que leva na lista consigo.

Segundo Colaço, “esta não é uma lista de amadores e curiosos”. “Tem a experiência necessária para os tempos exigentes que estamos a viver”, reforçou,

Todo o mandato de Nunes Liberato foi de tudo menos pacífico, já que foi o CNJ onde a atual liderança e a oposição interna viram muitas das suas pretensões atendidas ou travadas.

Porém Colaço, rejeita fazer uma análise ao mandato de quem pretende ser sucesso. “Relativamente a este mandato, tenho a dizer apenas que a administração da justiça não é uma questão de diplomacia e concórdia. É uma questão de aplicação rigorosa e célere das regras”, concluiu.

Artigo do jornal JN por Nuno Miguel Ropio