Candidato pela 10.ª vez à jurisdição do PSD acredita que agora é para ganhar

“Se não fosses candidato, não havia congresso”, dizem os companheiros a Paulo Colaço, que lidera lista alternativa à da direcção

Candidata-se pela 10.ª vez ao conselho de jurisdição nacional (CJN) do PSD e, desta vez, Paulo Colaço assume que espera sair do congresso de Viana do Castelo presidente do conselho de jurisdição do partido. “Embora me tenha candidatado várias vezes, nunca disse que era candidato a presidente do conselho de jurisdição, porque sentia que não era a hora. Mas agora assumo que quero ser presidente do conselho de jurisdição nacional do PSD e espero ser eleito no congresso deste Fim-de-semana”, declara Paulo Colaço ao PÚBLICO.

A lista que apresenta ao CJN alternativa à de Rui Rio, de quem foi apoiante nas primeiras directas que este disputou com Pedro Santana Lopes, é constituída por pessoas que têm uma vida ligada à advocacia. Colaço não é advogado — é da área das Ciências da Comunicação, mas para a lista convidou vários juristas.

A lista que Paulo Colaço, de 44 anos, leva ao 38.º Congresso Nacional do PSD, que decorre este fim-de-semana em Viana do Castelo, conta com militantes que nas recentes eleições directas estiveram com Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz. É bem provável que dela façam também parte apoiantes de Rui Rio.

No sábado, Paulo Colaço foi à Guarda, onde decorreu o conselho nacional da JSD, pedir apoio. “Achei que era fundamental fazê-lo, porque a JSD foi a minha primeira casa. Pedir o apoio da “jota” para a minha candidatura foi um gesto simbólico”, justifica o vogal da jurisdição, que aÆrma ter um “sentido de missão que é reconhecido por todos”.

Há um ano, Paulo Colaço foi notícia ao renunciar ao cargo de membro no CJN do PSD (era vogal) na sequência de uma divergência em pleno conselho nacional extraordinário do Porto com Paulo Mota Pinto, presidente da mesa do conselho, contra quem apresentou uma acção disciplinar. No diferendo sobre a forma de votação — de braço no ar ou por voto secreto — da moção de confiança à direcção de Rui Rio, Colaço acusou Mota Pinto de ignorar um parecer do órgão jurisdicional e de ter transformado a reunião numa “arruaceira RGA [reunião geral de alunos] ”.

Este episódio foi a única “polémica grande” em que se envolveu na sua longa passagem pelo órgão jurisdicional, que começou em 2002, no 24.º congresso do PSD. O facto de ser pouco conhecido na altura no partido levou a que a lista fosse encabeçada pelo antigo deputado António Costa Rodrigues. A partir daí nunca mais deixou de encabeçar uma candidatura ao CJN, apesar de nunca ter sido eleito presidente, a função que é actualmente desempenhada por Nunes Liberato.

Nas última directas, Paulo Colaço,” pela primeira vez”, não apoiou ninguém para a liderança do partido, quis assumir uma posição equidistante por considerar que esta é a primeira vez que assume verdadeiramente a sua candidatura a presidente do órgão jurisdicional.

“A lista que apresento é independente, independentemente de ter uma ou outra pessoa mais ou menos conhecida ou alinhada com a vida interna de uma ou outra concelhia ou distrital”, resume. Em tom de graça, Paulo Colaço conta que, quando telefona a dizer que é candidato à jurisdição do partido, os seus apoiantes respondem-lhe todos da mesma maneira: “Se não fosses candidato, não havia congresso.”

Artigo de Margarida Gomes